Pela 1ª vez em Portugal
Pela primeira vez em Portugal, a anestesia pré-operatória foi ministrada num paciente, através da acupunctura. A operação decorreu ontem à tarde, numa intervenção ao abdómen, realizada pelo cirurgião José Ribeiro da Cunha, no Hospital de Jesus, em Lisboa.
A paciente, uma professora do ensino secundário de Coimbra foi anestesiada pelo professor francês de acupunctura da Universidade de Marselha, Alain Ribaute, e pelo cirurgião português acima mencionado.
A intervenção cirúrgica destinou-se a remover uma agulha de costura alojada no abdómen da doente há cerca de sete anos. A senhora que já recebeu anestesias clássicas por várias vezes, recusou-se a “repetir a dose”, só aceitando submeter-se à operação se a anestesia fosse ministrada pelo método da acupunctura.
A doente sofre de problemas de obesidade e foi anteriormente submetida a várias intervenções cirúrgicas.
A presença deste professor francês neste momento em Portugal é pura coincidência com a realização da intervenção cirúrgica. A sua vinda a Portugal tem a ver com a participação em duas conferências em Coimbra, dedicadas ao tema da acupunctura, e deslocou-se a convite de um seu discípulo Pedro Choi, conhecido acupunctor de Coimbra e promotor da iniciativa.
A primeira das conferências realizou-se ontem à noite e a segunda está programada para sexta-feira, às 11 e 30, no anfiteatro 1, do Hospital da Universidade de Coimbra e dirige-se especialmente à classe médica.
As vantagens deste método
Na opinião do médico de Coimbra “a acupunctura ainda a dar os primeiros passos em Portugal, inibe a sensação dolorosa e permite ao paciente seguir todos os momentos da operação”.
Esta solução ainda rara em Portugal “permite uma colaboração mais eficaz e constante entre o cirurgião e o doente” com resultados “muito satisfatórios na recuperação pós-operatória, devido ao forte estímulo recebido pelos mecanismos naturais de defesa do organismo”.
Esta prática que agora se inicia para além de “evitar o efeito agressivo da anestesia medicamentosa”, é considerado pelo Dr. Pedro Choi, “uma alternativa eficaz à anestesia nas situações em que esta é contra-indicada, numa primeira fase e prática comum, quando os doentes confiarem nesta solução”.
Em Portugal, a acupunctura “vive momentos difíceis resultantes do facto de haver pessoas, como por exemplo, astrólogos e cartomantes a meterem-se na actividade”, denunciou o nosso interlocutor.
Sobre a legalidade desta intervenção cirúrgica e outras que venham a seguir, Pedro Choi foi peremptório ao afirmar: “Não há nada que o impeça”.


